Revista Moda F🌟hits + Estadão: O novo rosto da moda

Kaia Gerber se destaca da sombra da mãe, Cindy Crawford, ícone da era das supermodels nos anos 1980, dentro e fora das passarelas. Longe dos estereótipos curvilíneos, ela imprime uma nova beleza, mais natural e despojada

Existe alguém que nasceu na moda e literalmente tinha uma referência do que esperava na indústria, esse alguém é Kaia Gerber. Convivendo em um círculo de relacionamentos criado por sua mãe, Cindy Crawford, e pai, o ex-modelo e empresário Rande Gerber, hoje ela está em uma construção sólida de sua própria carreira como modelo. Após tanto tempo vivendo em uma atmosfera baseada no clã Kardashian Jenner, a moda precisava de um frescor, e Kaia serve como referência de estilo para mulheres de diferentes idades. Isso é o mais curioso sobre ela: Como consegue atingir públicos tão diferentes sendo ainda tão nova?

A americana, de 18 anos, tem aparecido nos desfiles certos e se transformou no rosto da moda de marcas como Chanel, Prada, Bottega Veneta , Givenchy e Miu Miu. Sua beleza clássica traz um contraste novo para esta geração. Nada de bocão, cabelão e corpão. Ela tem traços delicados, cabelos curtos e, fora de cena, aparece praticamente sem maquiagem. Uma representação oposta do que foi visto por tanto tempo nos holofotes – com superproduções, curvas acentuadíssimas e contornos. Um surreal irreal que já cansou.

Os excessos podem ter sido o estopim para validar a necessidade de uma nova referência. A moda pede isso o tempo todo. Um certo distanciamento do que é tendência permite chegar ao que é realmente belo – e não estamos falando sobre perfeição. O equilíbrio em si é o resultado dessa busca, nem mais, nem menos. Kaia parece tirar de letra essa equação. Ela assumiu o corte de cabelo acima dos ombros. O corpo, além da genética dos pais, é trabalhado com uma combinação de exercícios e alimentação saudável. No rosto, um ritual de skincare precioso, mas coerente com a idade.

 

Desde o desfile do verão 2018, da Calvin Klein, aos 16 anos, Kaia é observada. Na ocasião, ela foi vista pela primeira vez cruzando uma passarela, com seu olhar ainda tímido. Logo em seguida, as publicações adotaram novas medidas sobre limitações de idade no setor, ou seja, que nenhuma modelo com menos de 18 anos poderia aparecer nos editoriais. Essas decisões foram tomadas a partir da série de assédios e agressões sexuais em meio aos movimentos #MeToo e Time’s Up. E ela, em vez de sentir que foi prejudicada, viu nisso uma oportunidade para ser ouvida e respeitada – algo que, claramente, não era muito comum na época em que Cindy começou, na década de 1980. Após alcançar a idade certa, Kaia marcou capas de revistas mundo afora. A sua maturidade a fez ganhar o público, não só pela beleza, mas pela personalidade. Segundo a própria, seus pais nunca tiveram uma “mesa” para os filhos. O fato de os pais nunca terem isolado Kaia e o irmão, o também modelo Presley, foi uma forma de deixá-la ainda mais confiante.

 

De acordo com ela, é um elogio incrível quando a comparam com Cindy – seja pela sua forma de agir ou de ver o mundo. O que é especial nessa relação entre as duas é a maneira como separam as situações: cada uma representa a sua geração na moda. Durante a temporada do verão 2018 da Versace, Cindy apareceu ao lado de Carla Bru- ni, Claudia Schiffer, Naomi e Helena Christensen no desfile em uma coleção que homenageia o estilista Gianni Versace. Na mes- ma apresentação, ela e a filha estiveram juntas na passarela.
Com tantas evidências de es- tar seguindo os passos da mãe na carreira, Kaia mostra seu olhar contemporâneo para o que é a moda e a vida de modelo. Sem falar nas suas experiências que, invariavelmente, tem o adendo das redes sociais – o que favorece essa comunicação ainda mais direta com seus seguidores. Algo muito distante da forma como Cindy lidava com seus fãs.
Tudo indica que na moda também a fruta não cai muito longe do pé.

NYFW: Carolina Herrera, Oscar de La Renta, Jason Wu Collection e Self-Portrait

Na semana passada, foi dado o start ao calendário fashion. Nova York, a primeira cidade anfitriã, já mostrou a que veio nesta temporada de Fall 2020. Algumas marcas já apresentaram suas coleções com surpresas, trazendo verdadeiros desejos aos olhos das fashionistas – e, além disso, mostrando tendências e um amadurecimento nas criações. Afinal, estamos falando do paraíso do consumo de moda.

Quem começou com suspiros atrás de suspiros foi Carolina Herrera. A grife, sob comando do estilista Wes Gordon, apresentou silhuetas elegantes e confortáveis em linha A, com marcação na cintura ou volumosos. Os vestidos surgiram em formato de ponchos; as clássicas camisas ganharam shape masculino e vazados florais e algumas peças trouxeram sobreposições e brincadeira de camadas superfemininas. Na cartela de cores, além do tradicional black and white, o estilista investiu nas versões elétricas do amarelo, vermelho, pink, azul e tangerina. As Fhits stars Natasha e Nicole Pinheiro estiveram no The Shed, espaço de artes onde aconteceu o desfile

Já na passarela da Oscar de La Renta, antes de tudo, atenção para o balonê. E estamos falando de um dos shows de maior importância (e tradição) quando falamos sobre sofisticação. Se apareceu na série de vestidos longos ou curtos, acredite, é hit! Há modelos assimétricos, tanto no decote e alça quanto nas saias, mas o melhor é a construção feita nas saias. O volume é trabalhado de diversas formas e, inclusive, brinca com a ideia de fendas. O melhor é como a dupla Laura Kim e Fernando Garcia desenvolve as peças com uma dose generosa de frescor e modernidade.

Plumas, transparências e camadas. O inverno de Jason Wu se resumiu a bons e ricos detalhes. Claro, para um estilista acostumado com o red carpet, são informações que resumem bem sua elegância contemporânea. Há tanto visuais noturnos quanto propostas perfeitas para o dia – não são looks necessariamente casuais, mas do nível “arrumado”. A cartela de cores é a responsável por dar ainda mais força às texturas e efeitos nos materiais. Há tons claros, fluorescentes, elétricos, escuros e neutros, com uma combinação de elementos marcantes.

Se há uma palavra que pode definir o Inverno 2020 da Self-Portrait, sem dúvida, é futurismo. Diferente das temporadas anteriores, o estilista Han Chong deixou os babados e rendas para o passado e trouxe peças envernizadas, com shape justo, e ombros bem ajustados. Os destaques ficam por conta do contraste de comprimentos, alguns vestidos e trench coats são alongados, outros são curtíssimos. Na ala das calças, a cintura sobe e o efeito do verniz segue como o elemento-chave para visuais monocromáticos.

E ainda há mais desejos pela frente. É incrível como a moda consegue nos surpreender a cada temporada. O melhor é ver que os criadores estão dispostos a nos trazer o melhor – sempre!